O Que um Jornalista Pensa Sobre os Músicos?

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No Dia do Jornalista, resolvemos perguntar para alguns desses exímios profissionais o que eles pensam sobre o mercado musical. Respeitamos profundamente o trabalho desses profissionais que são peças-chave para qualquer músico ou artista. Por isso decidimos ouvi-los para que músicos de todo Brasil possam compreender o que um jornalista pensa e espera desses artistas.

Trabalhar em qualquer eixo do ecossistema musical é um desafio que exige muita paixão. E não é diferente no caso do jornalista. São inúmeros desafios enfrentados em busca de prestar um serviço profissional para nossa cultura.

Na nossa opinião, o músico precisa reconhecer a importância desse agente no ecossistema e estar de prontidão para auxilia-lo e assim criar uma sinergia importantíssima durante a sua carreira artística.

Selecionamos 3 entrevistados para contar aqui seus pontos de vista em relação a trabalhar com música, os desafios e sua perspectiva de futuro da música no Brasil.

A versatilidade do Jornalista

33% dos nossos entrevistados possui mais de uma ocupação fixa no jornalismo musical. Isso mostra o quanto o jornalista precisa saber equilibrar bem os pratos no ar para sobreviver nesse meio.

Luh Pantoja é uma jornalista versátil. Divide sua rotina de trabalho entre a produção do programa Segunda Alternativa, da rádio Elo FM, a comunicação digital (planejamento e elaboração de newsletter) da casa de shows A Autêntica, em Belo Horizonte e semanalmente a produção e envio de textos sobre iniciativas, entrevistas e afins do mundo da música para o site carioca Som do Som, e ainda é Coordenadora Geral da Comunicação da Maloca Produtora.

A Maloca Produtora, inclusive, está promovendo o Edital “Mostre Seu Som”, que vai selecionar 5 artistas para gravar um EP AO VIVO  e um videoclipe em uma das casas de show mais importantes de Belo Horizonte.

“Atualmente minha vida profissional se mantém por meio da música. Faço o garimpo de novos nomes da música autoral independente por meio dos locais que trabalho e um retro alimenta o outro.” – Luh Pantoja

“Ou ainda, se faço uma entrevista interna para a casa de shows, eu convido o artista para ir em meu programa. Alguns nomes que passam pela produtora podem ser bandas que tenham a mesma deficiência de assessoria de imprensa ou até mesmo a dificuldade de fechar uma data em uma casa de shows, aí eu entro e interveio nesse meio de campo.”

Os Desafios da Música e o Jornalismo

O experiente Abonico Smith, atua há mais de 30 anos cobrindo lançamentos de artistas de Pop e Rock (e suas subdivisões) no jornalismos paranaense. Hoje ele é Editor Chefe no site Mondo Bacana que ele mesmo criou e faz colaborações.

Perguntado sobre qual o maior desafio de se trabalhar com música no Brasil, ele é enfático:

“Hoje sem dúvida é conseguir se manter o mais atualizado possível com a quantidade de lançamentos independentes diários da rede. E ter tempo para conseguir ouvir tudo o que desejo para conhecer todos os trabalhos musicais.”

O nosso terceiro entrevistado, Alejandro Mercado, do blog A Escotilha, dedicada à cultura independente, defende outro ponto de vista:

“O maior desafio do jornalismo na música hoje é o acesso ao artista quando a reportagem vai ser conduzida à distância. (veículos independentes, ainda que com uma abordagem muito melhor, sofrem resistência de artistas consagrados ou em evidência) E diversidade de eventos, já que Curitiba ainda é mantida à parte de grandes shows.”

Luh Pantoja defende:

“A falta de reconhecimento do valor desse profissional para a construção e evolução de uma imagem. Os profissionais de jornalismo que atuam na área da música tem pouca valorização de seu exercício. São vistos como algo secundário, e por isso, menos valorizados inclusive financeiramente. E mesmo os que conseguem uma atuação mais constante no meio têm muitas vezes seu trabalho questionado e revisado várias vezes antes de ser aprovado e ter seu devido crédito. A falta de mérito não ocorre apenas por parte de músicos, mas de forma geral, dos diversos atores do ecossistema musical.”

O Chamado da Música

Ao perguntar dos motivos dos nossos entrevistados terem escolhido trabalhar justamente com esse mercado desafiador, todos parecem ter sido “convocados” por uma espécie de chamado.

“Comecei profissionalmente com 15 anos de idade, tal qual o Cameron Crowe e seu William Miller no filme Quase Famosos. Quando me dei conta, já estava dentro do sistema, escrevendo para a grande imprensa paranaense.” – conta Abonico.

A multitarefa dos entrevistados confirma a tese: “Eu sempre tive em mente que trabalharia com Jornalismo Cultural, mas nunca havia pensando na música, em específico. Ao realizar um trabalho de faculdade para a disciplina Assessoria de Imprensa com uma banda local, eu me apaixonei pelo universo que existe atrás do que ouvimos nos rádio. Assim, fui me especializando e buscando cada vez mais entrar nesse mundo. Ainda não o compreendo bem e sei que está em constante mudança. Mas isso me atrai, pois nos abriga a sempre pensarmos em soluções criativas e nos mantém em constante movimento.”

O ponto fraco dos músicos

Chegamos ao ponto alto da nossa entrevista. Que foi saber o que REALMENTE um jornalista considera importante para um artista que pretende ganhar destaque na mídia.

Grande parte dos entrevistados (44%) acredita que o principal ponto fraco dos músicos e artistas é que a maioria não sabe conceder uma entrevista.

“falta uma postura mais rock’n’roll na hora de dar respostas e depoimentos…” – Abonico Smith

Perguntamos aos nossos 3 convidados especiais qual seria a solução para esse tipo de problema.

“Educação. Cursos e afins com intuito de educar o mercado não só sobre jornalistas, mas diversos outros profissionais e tão importantes quanto os músicos.” – afirma Luh.

Alejandro completa dizendo que “Media Training” deveria constar no currículo de todos que pensam em viver de música.

O Futuro da Música

Pedimos aos nossos convidados especiais para expressar sua visão da música no Brasil e o que esperam do futuro. Sem nada combinado, todos concordaram que nossa música é muito promissora, como sempre foi.

uma incógnita financeiramente falando, uma maravilha artisticamente falando (com muita coisa boa e diversidade de propostas e estilos)

“(…)A música, enquanto gênero artístico, permanecerá bem, como sempre esteve. Profícua, criativa e popular. Já a indústria da música segue atravessado uma série de mudanças. E artistas, gravadoras, assessorias de imprensa e empresários estão enfrentando, infelizmente, muito mal.

E do ponto de vista crítico (uma espécie de auto-análise), o jornalismo cultural musical precisa estar desvinculado da agenda. Parar de atuar com o hard news, o factual. E precisa caminhar em direção a fazer um jornalismo mais reflexivo e abrangente. A música não é só o que sai nos veículos hegemônicos e nos portais de música, por isso, é preciso ir além.” – reflete Alejandro.

O experiente Abonico Smith concorda: “Uma incógnita financeiramente falando, uma maravilha artisticamente falando (com muita coisa boa e diversidade de propostas e estilos)”

Luh Pantoja completa, otimista: “Ainda não me sinto muito preparada para responder essa pergunta com autoridade total. Pois a música hoje, com a internet e suas facilidades, têm metamorfoseado muito.

Mas respondendo diante do cenário que enxergo hoje, diria que a música está se tornando cada vez mais visual e muito diversa. Muitas opções e novos estilos surgem a cada dia. E o trabalho para se manter na cabeça do público tem que ser constante. Pois ele pode ser trocado na velocidade de um clique.”

Unanimidade

Em uma coisa todos concordam. Dentre todos os entrevistados, 100% deles concordaram que se houvesse alguma forma de preparar os músicos para o desafio que o negócio da música impõe, isso facilitaria muito o trabalho do jornalista.

E essa é uma das nossas missões. Tornar o ecossistema musical mais profissional. Trabalhamos diariamente para ajudar músicos e profissionais do mercado a se tornarem mais capazes, facilitando o bem-estar de todas as partes.

 
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