Projeto Cultural: Coisas Chatas que Você tem Obrigação de Saber

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Projeto: substantivo masculino singular derivado do verbo em latim eunãoquerumfazeremistum, que significa um monte de papel, tabelas e formulários e como se não bastasse toda essa dor e sofrimentos gratuitos, ainda tem alguns textos de leis para lá de cabeludos envolvidas na história.

Projeto é, antes de qualquer coisa, tudo aquilo que vem antes de uma ação. É a preparação, análise, o cálculo, aquela medida de rabo de olho. Sim, é exatamente isso que vocês estão pensando: é aquele momento que você está abrindo o pacote da camisinha e se perguntando de que lado aquela porra vai.

A camisinha deve ser o melhor exemplo de como o planejamento prévio, ou seja, o projeto é importante. Você pode até não ver utilidade imediata, mas já pensou sair correndo de madrugada quando você mais precisar?

Esse não é o momento de ser pego de calças curtas. Aliás, não é o momento de vestir calça alguma.

A carreira da sua banda será próspera e longa se você tiver ao menos alguns pontos planejados. Já é senso comum que você, músico, não é aventureiro. Se quiser viver de música precisa se entender e se assumir como um empreendedor das artes.

Isso envolve planejar usando qual ferramenta estiver a mão. Nesse artigo o Fábio Marx deixou muito claro do que se trata planejar qualquer coisa utilizando o Canvas, uma técnica excelente para colocar seus projetos no rumo.

Mas onde entra o Projeto Cultural?

Pense na sua carreira como um grande projeto. Você sabe onde está e sabe onde quer chegar, não sabe? Se não souber, prepare algumas metas. Pense em um cenário otimista (25 shows por mês, cachê de R$ 50 mil) e um cenário pessimista (10 shows por mês, cachê de R$ 1000).

Entre onde você está e qualquer um desses cenários cabe um projeto. E tudo o que você precisa é seguir seu Canvas.

Dentro do grande projeto que é a sua carreira, você vai se deparar com algumas possibilidades. A vida nas artes não é nem de perto linear ou previsível. Surgem aquelas parcerias, convites inesperados, participações, etc, etc. E como você já deve ter percebido, a sorte favorece aos mais preparados.

É aqui que é bom já estar com o envelope da camisinha entre os dentes. Pronto para abrir em um movimento ninja e mergulhar de cabeça. Vai que uma dessas oportunidades aparece já tirando a roupa?

Diferentes tamanhos

Ok, é verdade que nem toda oportunidade requer um projeto elaborado. Se pintar uma baita entrevista em um grande meio de comunicação, você não precisa ter 50 páginas redigidas. Mas precisa saber o que vai falar. Como vai falar. O que vai esconder.

Ou se surgir um convite para abrir os shows de uma banda maior, você aceita e depois decide o repertório. De preferência um pouco antes do show (mas não 10 minutos antes!).

E se essa banda (como é comum) cobrar para a banda de abertura? Você tem a grana? Interessa investir esse valor? A decisão fica bem mais fácil se você já se preparou anteriormente.

Tudo isso são projetos de diferentes tamanhos. Saiba ter uma verba para a banda. Saiba encontrar treinamento para não fazer feio na imprensa (esse tipo de treinamento chama media training; é bem bacana). E assim a vida continua.

Até o dia que você ouve falar em Rouanet, ProAC, Ancine, edital, e mais um monte de outras siglas dessa sopa de letrinhas governamental. É complicado, é chato. Mas a promessa é de uma grana boa para trabalhar nas condições ideais.

Mas se você não tiver um projeto pronto…

Tudo bem que projeto cultural é complicado, é chato e cheio das artimanhas. Mas também tem notícia boa: eles são bem parecidos. A estrutura de um projeto Rouanet e de um ProAC é bem próxima. A inscrição acontece em outro site e as regras são outras. Mas o que você precisa preencher é sempre um objetivo, uma justificativa, um cronograma, um orçamento, essas figurinhas carimbadas.

Os mesmos campos variam de tamanho e de lugar e tem umas variações semânticas: tipo quando um item que se chamam descrição e alguns programas e em outros chama desenvolvimento.

Ou como em alguns tipos de projeto é obrigatório prever a distribuição de ingresso enquanto em outros não. Mas essas diferenças são circunstanciais e não vão te atrapalhar. Muito.

Envolver-se com a inscrição de um projeto é uma boa escola. Faça uns dois ou três e você já estará levando a coisa toda numa boa, sem sustos. Sua banda é a mesma em todos os projetos. Se você mudar de banda e de estilo musical radicalmente, ainda assim seu projeto vai ser meio parecido.

Eu sei, vocês são muito bons bom e o som é incrível e cada banda tem sua personalidade. Mas vou te contar um segredo: quem for analisar seu projeto cultural provavelmente nunca ouviu uma nota sua e com certeza estará bem mais preocupado sobre como você organiza os custos e como atinge o público.

É, a coisa é meio fria mesmo, não leve pelo lado pessoal.

Saca a sua camisinha do bolso e parte para o abraço.

Novas Oportunidades

Enquanto você domina essa tecnologia sensacional e ganha umas boas vantagens no mercado musical, muitas outras coisas vão acontecer na sua carreira e outras oportunidades de outros tipos de projetos vão surgir.

É provável que o que vem vindo por aí não tenha nada a ver com o leis de incentivo ou programas de incentivo à cultura. Por exemplo, é meio comum um shopping aceitar atrações musicais em algum espaço mais amplo. Ou uma prefeitura para alguns eventos. Nessa hora eles também vão exigir que você apresente um projeto por escrito.

Apesar de o projeto que você precisar não ter nada a ver com Rouanet, a boa e velha tia Rouanet serve certinho, já que contém a mesma organização de ideias que qualquer instituição precisa para poder passar para os diretores, presidentes, financeiro, etc.

Quanto melhor for sua organização de projeto, mais suavemente ele roda pelas muitas pessoas que vão ter que decidir sobre aceitar sua banda se apresentando no local. E olha que tem gente para decidir, hein?

E quando chegar essa hora, você estará tranquilo porque já passou por isso antes. A oportunidade se apresenta linda e maravilhosa e já vem tirando a roupa na sua direção.

Ainda bem que você já usou essa camisinha antes.

Credo… Que metáfora nojenta.

Vamos esquecer essa história de camisinha por um tempo, ok?

Treinamento!

Isso, vamos chamar de treinamento. Você vai ter prática. E melhor, vai ter alguns documentos já salvos no seu computador que você pode copiar e colar à vontade, fazendo quantos projetos quiser usando retalhos dos outros. Não requer muita criatividade. Basta reciclar. Tem coisa mais ecológica (talvez eu devesse ter começado com a metáfora da reciclagem no começo desse artigo)?

Melhor esquecer as metáforas.

O grande lance é que a carreira artística é um grande projeto de vida, recheado de pequenos projetos mais curtos (e alguns deles, até pontuais). E é fácil se esquecer disso. Especialmente na hora de lembrar-se que projeto pressupõe planejamento.

Ou seja, mirar em um objetivo e traçar uma rota possível para esse objetivo. Chegar lá ou não, depende de esforço, dedicação obsessiva, muita informação e habilidade para corrigir a rota de vez em quando.

Coisas que, convenhamos, não fazem parte nem de longe da cultura brasileira. A gente toca de ouvido, vai improvisando, levando na malandragem e, quando chega em algum lugar, não sabe como nem por quê.

Clima quente

Há uma teoria de boteco que diz clama que os climas quentes de certas regiões do globo (como o nosso país tropical abençoado por Deus e bonito por natureza) não favorece o planejamento. Em outros tempos, todos os recursos necessários para  sobrevivência estavam espalhados pelo cenário. Bastava esticar a mão e pronto.

Enquanto isso, em regiões mais frias ou nas quais o a temperatura variava bastante ao longo do ano, se não houvesse um bom planejamento de estoque, o inverno significava a morte certa.

Essa diferença de climas pode ter influenciado as culturas dos povos e hoje, em épocas empreendedoras, a cultura que estimula o planejamento é a que tem mais sucesso no longo prazo.

Não tem nenhuma base científica. Mas faz um certo sentido, não?

Portanto, prepare-se. Planeje. Crie metas. Crie projetos.

 
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