Como Destruir a Concorrência Musical

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Música é trabalho, certo? Mas se é trabalho e não é emprego, é um empreendimento. Ou um empreendedorismo. Isso quer dizer que, a não ser que você seja músico da orquestra (ou seja, funcionário público), você precisa encarar sua carreira como um negócio a ser administrado. E todos os negócios possuem concorrência.

Portanto, a música tem concorrência, certo? Meus melhores amigos são minha concorrência e eu preciso acabar com a carreira deles?

Belo amigo você é, hein?

Primeiro vamos nivelar a conversa e entender exatamente o que é e como funciona a concorrência na maioria dos negócios. Depois a gente entende o que é concorrência na música e como acabar com essa praga que está derrubando o seu cachê.

Epa! Concorrência além de tudo reduz cachê?

Reduz. Bastante.

Olha só:

Em todo mercado, seja na construção civil, nos transportes, na educação, nos eletrodomésticos, nas telecomunicações e até na costureira ali na esquina, existe concorrência.

Como qualquer pessoa sabe, concorrem dentro de um mesmo mercado as pessoas ou empresas que oferecem produtos e serviços iguais ou semelhantes. O que resulta em um benefício igual ou muito próximo para o cliente.

Trocando em miúdos. A senhora sua mãe sai de casa para ir lá no supermercado comprar manteiga para o seu lanchinho da tarde. Chega lá, olha para aquela gigantesca prateleira e encontra: Nestlé, Qualy, Leco, Delícia, Becel, Aviação, Vigor e mais uma outra dezena de lubrificantes para as artérias.

A disputa por preço

Essas muitas marcas que a senhora sua mãe está lá tentando escolher são todas concorrentes entre si. Porque oferecem, com algumas pequenas diferenças, o mesmo benefício para você: sabor inigualável e uns centímetros a mais pendurados para fora das calças, que é exatamente o que a gente espera dela.

Isso quer dizer que todas elas cumprem com a mesma proposta. Claro, tem umas mais amarelas, tem outras com ômega 3, outra ali tem teor de sal reduzido, aquelas coisas que, na real, não fazem diferença alguma.

A fórmula da manteiga é simples (provavelmente derivada do petróleo) e não tem muito o que ficar pensando sobre o assunto. Isso faz com que o fator principal para a senhora sua mãe decidir em qual manteiga enterrar a sua saúde seja o preço. E aí é que mora o perigo.

A senhora sua mãe vai ter que escolher a mais barata. A não ser que alguma delas consiga de algum maneira convencê-la de que vale a pena pagar mais caro por um produto de maior qualidade. O que, cá para nós, é cada vez mais difícil, já que não existe nenhuma dificuldade em copiar as vantagens da outra manteiga.

E então, temos uma guerra de preços na prateleira do supermercado na qual todo mundo vai sair perdendo, exceto o consumidor. Quer dizer, a senhora sua mãe consumidora.

E isso são apenas os concorrentes diretos!

Vai que ela percebe a desgraça de filho(a) ingrato(a) que você é e decide que você vai mesmo é comer margarina (esse sim, eu tenho certeza, é derivado de petróleo)?

Produtos que são diferentes na sua composição ou proposta (como a manteiga e a margarina) mas que atendem a mesma expectativa do cliente (sabor de coisa gorda e infarto precoce) são concorrentes indiretos. Ou seja, não é a mesma coisa, mas resolve.

Mesmo que o produto seja altamente complexo, como por exemplo telefonia, ainda assim existe concorrência e concorrência facilmente “copiável”.

O que é que a Claro oferece hoje que a Vivo não oferece? A única coisa que eles podem fazer para atrair clientes é reduzir preços de tarifas e de aparelhos indefinidamente. E mesmo assim já tem gente que nunca fez uma ligação na vida e manda áudio de 18 minutos no Whatsapp.

Concorrência musical
Fonte: pergunteaumamulher

Certo, entendi como funciona a concorrência e também que a minha mãe quer me matar. E para a música? Como funciona?

Na música, o princípio é o mesmo. Mas a aplicação desse princípio é um pouco diferente. Quando se fala em concorrência, necessariamente entende-se que um produto concorrente pode substituir o outro produto sem se perder o benefício principal.

Um cliente compra uma máquina de lavar roupa e abandona todas as outras do mercado. Um fã de rock não vai ouvir uma única banda e abandonar completamente as outras. Aliás, um bom festival possui uma leva de bandas e o cliente estará disposto a pagar bem mais caro para ouvir todas, conhecer umas novas, xingar outras, etc.

Coisa que ninguém vai fazer com todas as máquinas de lavar roupa.

Isso só é possível de se pensar porque bandas possuem personalidades próprias enquanto máquinas de lavar roupa não. O que quer dizer que, necessariamente, você não está concorrendo contra outros músicos e outras bandas.

A não ser que…

É, tem um “a não ser”. Lógico. Nem tudo são flores. Muitos artistas no começo de carreira fazem um show de cover. No caso do rock o mais comum é que a banda escolha um repertório de clássicos do rock que passe pelos anos 60 e 70, mas em uma versão mais pesada (porque copiar os timbres da época é muito difícil).

Pena que, praticamente TODA banda em começo de carreira faça a mesma coisa. O que quer dizer que na hora do dono do bar escolher um show de clássicos do rock, vai ter MUITA opção.

E todas as bandas se esforçam para ser verdadeiramente fiéis aos clássicos, respeitando esses hinos da maneira como eles foram concebidos. Aí fica tudo igual. Aí vocês viram concorrentes.

Aí começa o leilão pelo menor preço porque o benefício que você estará levando ao cliente é o mesmo que todo mundo leva.

Aqui vale a regra máxima: quem faz rock é roqueiro; quem faz cover é coveiro.

(mas a filosofia vale para o sertanejo, para o jazz, para a MPB, etc).

Ah, mas os Beatles começaram a carreira deles tocando cover!

É verdade. Em 1960 os Beatles, ainda denominados Beatals e depois Silver Beetles faziam um show tributo ao Buddy Holly. E logo um agente os levou para tocar em bares de strip-tease em Hamburgo (Alemanha), enquanto George Harrison ainda era menor de idade (nada mau, hein?). Ao longo dos próximos 2 ou 3 anos, eles voltaram várias vezes para a Alemanha para fazer verdadeiras maratonas de covers.

Nesta fase eles tocavam a noite inteira (sim, mais do que um músico de trio elétrico no carnaval). E tinham que ter um repertório de covers gigante. Essa experiência tornou a banda unida, coesa e deu a eles a capacidade de disputar a atenção do público com mulheres tirando a roupa.

Concorrência musical
“Você odeia os Beatles? Fale isso de novo eu duvido!”

O acúmulo de tantas horas de vôo deu aos Beatles um caráter profissional. Mas eles só vieram a fazer sucesso fora de Liverpool depois de gravar músicas próprias com Brian Epstein. Ou seja, cover foi o exercício necessário para eles terem musculatura para os recordes olímpicos que eles viriam a quebrar.

(dica: leia o livro Fora de Série do Malcom Gladwell para conhecer um pouco melhor essa fase da vida da banda)

Aêêêêêêêê!!! Viva! Tem espaço para todo mundo no mercado! Por que eu não estou rico ainda?

Bom, então a sua banda precisa ter musculatura (isso quer dizer muito ensaio). E também não ser uma manteiga qualquer na prateleira do supermercado (isso quer dizer ter muita personalidade). E estar pronta para buscar recordes olímpicos (isso quer dizer ter 50 músicas próprias, não apenas uma ou duas).

Mas isso não te deixa livre de concorrência.

Você pode até interpretar as músicas dos seus amigos com arranjos próprios. E isso não vai te tornar um concorrente deles (seria até uma homenagem muito elegante!)

Você só não está rico porque a concorrência indireta é brutal. São diversas opções possíveis de boa qualidade que não estão exatamente no mesmo mercado que você, mas que disputam um espaço no bolso limitado do público.

No Brasil, que é um país de cultura ampla existe uma liberdade muito grande no consumo de entretenimento e cultura. Isso dá as pessoas (ainda bem), muitas opções de qualidades muito variadas.

Então, ao invés de ir no show da sua banda, uma pessoa pode ir ao show de uma outra banda de um estilo absolutamente diferente do seu. Se você toca blues, pode ficar meio decepcionado de ver o seu público em um show de samba. Mas isso rola sim.

E a concorrência indireta não se restringe aos outros músicos. Como desde os anos 90 não somos mais escravos dos mesmos 6 canais de TV aberta e podemos gastar umas boas horas no cinema, na TV a cabo, no Netflix e até no Youtube.

Concorrência musical
Fonte: Adweek

Putz… e agora?

Não é difícil enfrentar a concorrência indireta. Como a característica maior da concorrência indireta é que o seu produto é diferente porém cumpre com o mesmo benefício (ou seja, você é feito de outros derivados de petróleo, mas também lambuza os beiços). Seja bem diferente e seja insubstituível.

Faça sempre o seu melhor. Mas nunca tente ser igual a ninguém, porque esse alguém já está fazendo isso. E se você chegar a se igualar, vocês vão competir pelo mesmo mercado. Aí o preço cai.

Seja inovador. Ouse, busque entender-se com o seu público e desenvolver um vínculo afetivo. Homenageie os seus fãs, traga eles para dentro da conversa.

Deixe o público fazer parte da sua história. Se houver uma possibilidade do público se identificar com você e com o seu som. Você não será facilmente substituído por uma maratona de séries no Netflix.

 
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