Como a Música Ficou Sintética? E o que Você Deve Fazer?

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Na década de 50, um novo tecido tomou mentes e corações do mundo da moda. O sintético Tergal. Feito de fios de derivados de petróleo, não amassava, tinha menores alterações de cor e era resistente. Sintética pura. E passados 50 anos o mundo continua a preferir o bom, velho e amassadiço algodão para uso doméstico…

“Pow, mas aqui não é pra falar de música???”

Sim! Foi só uma analogia. Porque a música está sendo afetada diretamente por novas tecnologias eletrônicas e digitais cada vez mais a cada dia. E isso parece um caminho sem volta. Ela está ficando SINTÉTICA! Como é o Tergal.

Para os músicos, novas tecnologias trazem cada vez mais facilidades. Afinadores digitais, plataformas de edição cada vez mais complexas que cabem em um smartphone. Pedais de efeitos virtuais muito acessíveis, simuladores de instrumentos. Plugins de edição que imitam a perfeição equipamentos lendários e caríssimos… bem, a lista é longa.

Mas será que toda essa tecnologia sintética está agradando a quem mais deveria agradar?? O tal OUVINTE ou APRECIADOR DE MÚSICA?

Pois é. Nem sempre o que é maravilhoso pro músico soa importante pro ouvinte. O que se percebe hoje é um clima de saudosismo, principalmente no rock. O termo vintage virou moda. E utilizar imitações de valvulados e equipamentos já fora de fabricação, é quase uma religião. Uma guitarra velha vale uma pequena fortuna..

Mas porque?

A questão é que todos correm para um mesmo lado e vão padronizando o som. Já que a tecnologia está mais acessível. E o resultado óbvio é muita coisa igual e sintética, e cada vez menos criatividade. Até porque a troca de informação hoje é muito fácil, ao contrário de a 30 anos atrás.

Vou citar aqui 3 tecnologias que são responsáveis pela padronização e falta de criatividade dos tempos atuais….ISSO NA MINHA OPINIÃO, QUE FIQUE BEM CLARO. É só um conceito próprio, mas como isso anda em falta mesmo, hahahahaha, então vamos lá!!!

Editores: As Poderosas DAW

música sintética
DAW – Digital Audio Workstation: Protools, Cubase e tantos outros

Pro Tools, Reaper, Cubase, PreSonus. As ‘máquinas’ de edição sintética são onipresentes nos estúdios de hoje e até nos computadores e smartphone de músicos e produtores.

São verdadeiros ‘Photoshops’ do áudio. Afinam, ajustam no tempo, recortam, editam. Mascaram erros, mascaram erros, mascaram erros… não, não fiquei gago… boa parte do serviço de uma DAW ou editor de audio na mão do técnico hoje, é corrigir.

Mas até onde isso faz bem para o ouvido do consumidor?? Voltamos a história do tergal e do algodão. Um mais eficiente e outro mais agradável a ‘espécie humana’.

A música editada beira a perfeição. E para o músico e/ou a maioria dos produtores, quanto mais perfeito melhor. É lógico, pois passa a sensação de eficiência mesmo que falsa, de trabalho bem feito.

Só que para quem ouve, de repente faz falta a parte humana da coisa. Erros de execução, pequenas desafinações, o evidente esforço do músico para fazer uma coisa bem feita. Arranjos mais simples e por aí vai.

No tempo da gravação em tempo real em gravadores de rolo, entrar em um estúdio era como entrar em um templo. E alguns bons músicos passaram a vida sem ter essa oportunidade. E os que tinham na maioria dos casos olhavam como uma dádiva. E se preparavam ao extremo para isso!

Hoje, é comum o músico entrar para gravar já contando com a correção sintética para seus erros.

E isso é um Grande Erro!

Ouço muito frases como:

“Isso dá pra arrumar né??” ”

Aí da pra dar um jeitinho não??”

“Não precisa gravar de novo né??”

“Depois você põe no tempo, certo??”

Muito chato isso. Mas temos que viver, então dá-lhe maquiagem… E o duro é as vezes ver o cara que gravou, e você se desdobrou em corrigir, falando pra alguém coisas do tipo:

‘MANDEI MUITO BEM NÉ???’ hahahahahahahha

Mas como o inconsciente do ouvinte é leigo, ele ouve e compara com gravações antigas, e acaba dizendo:

“Pow, os clássicos do rock são o que curto” ou pior…

“Não se faz música como antigamente!!”

E dizem isso com você usando toda essa tecnologia a seu favor. Talvez esteja na hora dos músicos pensarem menos em tecnologia e voltarem a fazer sua parte: música bem executada. COM QUALQUER RECURSO,  até caixa de fósforo. Criatividade só não basta.

Leia também: Pré Produção: Como Se Preparar Corretamente?

Quantizadores ou Tecnologia para Colocar seu Instrumento no Tempo

Muitos músicos, principalmente baixistas e bateristas se tornaram dependentes dessa tecnologia sintética. O computador cria uma marcação na tela, sincroniza com o metrônomo e pronto, TEMOS UM BATERA PERFEITO!! Só que não…

Nem o coração da gente bate certinho e então o ouvido humano tem dificuldades de aceitar essa perfeição ritmica. Tanto que bits constantes são usados até para hipnotizar. E veja o caso das músicas para Raves ou até algumas vertentes do Hip Hop.

Músicos iniciantes costumam ter horror ao metrônomo, e isso é besteira. O tal metrônomo te ajuda a entender a música como um todo e faz todos trabalharem melhor em conjunto (no tempo da vovó não era banda, era conjunto, hahahah).

Se você consegue gravar sem quantização ou usando bem pouco o recurso, seu som fica muuuuuito mais natural. Soa como uma orquestra sinfônica, coeso, livre e convincente.

Mas pra isso, tem que treinar com o metrônomo. E muito. Se dedicar ao assunto métrica e convencer a banda a trabalhar assim. A sincronia natural é uma das coisas mais bonitas que podem acontecer na música e um diferencial que tinham as bandas de… vamos dizer, ‘antigamente’.

Finalmente, os Afinadores

O mundo da produção musical se popularizou e se tornou um imenso karaokê. Todo mundo canta e isso é realmente um direito de todos.

SÓ QUE ANTES ERA NAS FESTINHAS E CHURRASCOS E AGORA É NO ESTÚDIO.

Não rolou legal? Passa o melodyne… Semitonou um trecho (ou tudo,hahaha)? Passa o melodyne… e por aí vai a caravana.

música sintéticaMelodyne

Ser afinado sempre foi uma obrigação do músico profissional. E agora existe uma saída pela esquerda: o santo afinador!

Só que esse santo só faz pequenos milagres e a um custo muito alto. O sacrifício da sua interpretação. E o que é a interpretação? É a leitura pessoal de uma música pelo intérprete.

Sim, aquele toque pessoal. Aquele sentimento que um Freddy Mercury, uma Marisa Monte, um Renato Russo passam para você. E que um vocalista sempre quer entregar ao seu ouvinte. E essa entrega é bastante prejudicada pelo afinador.

Óbvio, ele é uma calculadora sintética disfarçada de plugin. E as calculadoras nunca fizeram sucesso nas rádios. A excessão da gravação de ‘Money’ da banda Pink Floyd, que eu me lembre, hehe.

Então, lembre-se que o afinador pode ser amigo de sua preguiça de praticar e estudar. Mas o afinador é inimigo de sua vontade de passar sentimentos ao público.

Bom, é isso, espero ter ajudado. Critique, elogie, dê sua opinião aí abaixo e até a próxima.

 
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