Da Capo al Fine: Como Arranjar uma Música

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Você é músico e faz trabalho autoral certamente e está se batendo em dificuldades para abrir as portas do mercado? Está com dificuldades em Arranjar uma Música?

Nós nos propomos a ajudar você nas diversas frentes de batalha da verdadeira que nós artistas travamos em busca desse objetivo. Aqui falaremos sobre “dicas, truques e sacadas” que irão ajuda-lo a vencer essa etapa.

Uma das coisas mais importantes a serem consideradas no conjunto do que é minimamente necessário para isso é ter músicas arranjadas de forma criativa e original.

É extremamente importante que sua música consiga criar no ouvinte a sensação de novidade, de frescor. Mesmo que, de fato, não seja algo inteiramente novo.

Seu som não pode soar como uma cópia, não pode ser apenas mais um. Ele tem de ser único! Lembre-se: uma coisa é usar influências, outra, bem diferente, é imitar. Portanto, jamais copie. Recicle! Dê o seu sotaque às suas músicas.

Embora arranjar uma música não seja como fazer um bolo, em que se segue uma receita pronta, há certos parâmetros a serem levados em conta. A sonoridade de um trabalho é muito importante, mas, antes mesmo disso, é necessário saber aonde você pretende chegar com o ele.

Se a intensão for apenas algo despretensioso você está inteiramente livre de quaisquer balizamentos ao arranjar suas músicas. Poderá fazer o que lhe vier à cabeça desde que o resultado agrade unicamente a si. Agradar ou não a outras pessoas é secundário.

Mas, se a sua intensão é tentar entrar no mercado, ou seja, conquistar algum público e, com sorte, ao menos parte da mídia, aí necessariamente terá de se preocupar com vários aspectos que poderão ajudar muito a atingir esses objetivos.

Antes é necessário entender que para “entrar no mercado” o seu trabalho terá de impressionar muito bem o público, os formadores de opinião e, principalmente, algumas pessoas em particular.

Conhecidas como gatekeepers, elas têm poder de decisão sobre aprovar ou não as suas criações em vários níveis.

São elas que decidirão se sua banda vai ou não tocar naquela casa noturna super conceituada na cidade, que compõem a equipe de jurados de festivais de música, ou de produção de programas de rádio e TV (filmes, novelas, programas diversos), criadores de trilhas sonoras para comerciais para publicidade, cinema, etc.

Essas pessoas têm a chave dos portões do sucesso! Se suficientemente impressionadas, elas colocarão você e sua música sob os holofotes.

Para estar nessa condição elas são pessoas bem sucedidas no que se propõe fazer e certamente trabalharam duro para chegar a esse estágio. Não duvide por um segundo sequer de que elas têm pouquíssimo tempo disponível e muitas responsabilidades.

Exatamente por isso, ser exigente, para elas é questão de sobrevivência. Por motivos óbvios são muito procuradas por músicos e geralmente, por dever de ofício, estão antenadas com as novidades que rolam no cenário musical.

Você já sacou que não é fácil fazer alguém com esse perfil parar para ouvir o seu trabalho, não é? Também ‘tá’ ligado que elas recebem toneladas de material para avaliar, né? Seu trabalho tem de estar bem acima da média aos olhos e ouvidos dessas pessoas!

Uma vez que você tenha conseguido que essa pessoa-chave resolva dar alguma atenção ao seu trabalho lembre-se de que o tempo por que ela se propõe ouvir sua música ou assistir ao seu clipe será, a princípio, de apenas alguns segundos.

Pode parecer uma postura babaca. Mas não se esqueça de que provavelmente você faz exatamente o mesmo quando resolve conhecer o trabalho de um artista no YouTube. Se o trabalho dele não fisgar logo de cara as chances de você completar um minuto de visualização são mínimas.

Com o seu trabalho não será diferente. Dito isso, você agora já deve ter entendido a importância que pode ter arranjar uma música conforme o mercado. Uma vez que se tem um primeiro rascunho da música é uma boa pensar no mapeamento dela.

Numa música o mapa é a sequência das partes. Tipo “abertura, introdução, estrofe, canto, contracanto, refrão, solo, epílogo fecho, etc”. Ao mapear a sua música leve em conta o que foi dito acima.

Sabe aquele refrão maravilhoso que você colocou só após as duas primeiras estrofes de sua música? Talvez seja mais conveniente alterar o mapa e colocá-lo logo na abertura dela.

Há infinitos exemplos de canções de sucesso com essa característica, como “Sexo”, do Ultraje a Rigor, “Help”, dos Beatles, “Advice For The Young At Heart”, do Tears For Fears…; só para ficar em três casos.

Ou então pode-se usar o mesmo recurso se, por exemplo, o guitarrista criou uma frase certeira, daquelas tipo chiclete, que colam no ouvido. Pense em usar esse riff na introdução. Grandes bandas de rock como AC/DC, Rolling Stones, Deep Purple, por exemplo, são craques nisso.

É recomendável que, se você trabalha com música popular, só coloque solos nas canções que realmente pedirem. São muito comuns, principalmente em bandas de rock e pop/rock, solos, especialmente de guitarra. Virou quase um clichê.

Pior: é comum que o solista não tenha vocabulário suficientemente criativo nem técnico para isso. Que tal deixar esse recurso “na manga” para usar só quando o guitarrista conseguir criar um solo “matador”?

Em casos onde o responsável pela execução do solo não tenha muito vocabulário técnico isso é ainda mais conveniente, pois ele não cairá em repetições dos poucos recursos que domina.

Pelo contrário: o solista poderá mostrar bem os recursos que tiver e não terá de usá-los de forma repetitiva. Ademais, nos espaços em que geralmente se faria solos não raro pode-se usar outras coisas. Por exemplo: divisões, frases com mais groove, etc. Sei que é difícil convencer alguns virtuoses disso.

Mas entenda que o objetivo desse tipo de trabalho não é ressaltar os músicos e sim as músicas. Ainda mais em se tratando de música popular. Principalmente nesse contexto é mais conveniente que se use virtuosismo a serviço da música e não o contrário.

Se for o caso de se por um belo solo experimente ao montar dividindo-o em partes. Enquanto faz isso tente se lembrar dos solos considerados mais clássicos.

Percebeu que os melhores solos tem algo em comum? Eles contam uma história, têm começo, meio e fim. Monte um fio-da-meada sobre o qual se trabalhará.

Comece com um rascunho, mais limpo, menos notas, mais simples. Tendo estruturado a ideia aí é só lapidar e pensar nos detalhes, nas passagens.

Costuma ser uma boa referência usar uma dinâmica em que se tenha um início mais chamativo e marcante, um miolo menos denso e uma saída que funcione como clímax do solo e, ao mesmo tempo, que entregue a música de volta para o vocal.

Não custa lembrar que embora a velocidade seja algo de valor, em geral é mais valiosa uma nota com sentimento que um monte delas apenas pela velocidade. Recursos simples como frasear usando oitavas subindo e descendo e bends costumam produzir resultados surpreendentes!

Outra coisa que costuma funcionar muito bem é trabalhar para que o arranjo tenha nuances dinâmicas.

Evite deixar que a música fique linear. Músicas precisam ter dinâmica para que elas não causem no ouvinte a tentação de mudar de música ou sintonizar outra estação de rádio. Costuma funcionar muito bem ir acrescentando elementos ao arranjo no decorrer da canção.

Exemplos do que chamo de elementos: outra camada de guitarra ou teclado, backing vocals, mudar a levada da bateria, fazer divisões diferentes entre as partes similares da música, explorar pausas ou breaks, colocar ou mudar frases do naipe de metais, etc.

Mas, cuidado! Fazer arranjo é como temperar comida: há um ponto certo a se atingir. A arte da coisa é justamente saber fazer um arranjo bem equilibrado. Assim, procure não exagerar. Há diversas possibilidades, você pode, por exemplo, ir acrescentando esses elementos aos poucos de modo que a o arranjo vá ganhando mais “tensão”.

Uma das coisas mais irritantemente comuns, especialmente em bandas de rock e pop/rock, é a tendência de acrescentar elementos. Frequentemente se vê arranjos com coisas que estão sobrando, guitarras que ao invés de conversarem ficam brigando por toda a música, falta de cuidado em escolher timbres, enfim, arranjos poluídos.

Esse tipo de abordagem é tão mais comum quanto for a inexperiência dos artistas. E soa terrível ao ouvinte porque denota falta de criatividade e de um mínimo de maturidade musical. Trabalhos assim soam invariavelmente como “banda de garagem”. Aquelas em que se toca só pra relaxar, sem qualquer outra pretensão.

Uma vez que se atinja um estágio no arranjo em que ele já tem uma “cara” experimente limpá-lo. Grave várias demos com versões diferentes de modo a experimentar possibilidades. Em cada uma dessas gravações experimente alterar, por exemplo, o andamento, o tom de voz, timbres, retire ou acrescente elementos…, etc. Isso costuma ajudar muito o artista não só a avaliar suas performances como a perceber o que está funcionando ou não no todo do arranjo.

Outra dica: de modo geral tudo o que for retirado do arranjo e não fizer falta não deve voltar a ele. Principalmente em se tratando de gravações. Ao vivo você pode tocar com um som mais “sujo”, acelerar andamentos, até subir o tom do vocal, esticar as músicas e, aí sim pode-se explorar os dotes dos virtuoses.

Se seu trabalho for com música popular convém trabalhar para que sua canção tenha até quatro minutos. Seguindo as sugestões acima você verá que, na maioria delas, não será difícil conseguir isso.

Note que as opções são inúmeras. Então, não cometa o erro de ter pressa para gravar. Se quando o assunto é o seu trabalho você pretende apresenta-lo como um profissional faz e não apenas como um hobbista precisa estar atento aos detalhes, cuidar amarrar todas as pontas juntas de modo que o arranjo final esteja muito bem resolvido. Deixe para gravar só quando as músicas estiverem maduras.

Quando chegar nesse estágio é hora passar aos últimos detalhes. Esta etapa de preparação é, normalmente, chamada de pré-produção. Aconselho fortemente que o artista se planeje pensando na contratação de um bom produtor musical nessa fase. Pesquise a respeito, procure trabalhar com um que atue com o mesmo gênero musical que o seu.

É mais provável que quem é produtor no mundo do rock entenda a proposta dê as melhores sugestões para uma banda de rock do que outro que atua na música sertaneja. Pode parecer caro contratar um, mas, quase sempre vale muito à pena.

Ele, se for um bom profissional, saberá não só ajudar o artista a melhor arranjar suas músicas como vai prepara-lo mais adequadamente para gravá-las, indicando músicos de apoio, escolhendo estúdio, fazendo a ponte entre o artista e o engenheiro de som, participando da mixagem de modo a dar a quem fará isso as referências sonoras para que se atinja a sonoridade desejada pelo artista, auxiliará nos registros autorais das músicas, poderá indicar profissionais para ajudar nos diversos itens das fases de produção e pós-produção etc.

E, no que toca ao Arranjar uma Música, ele pode ser fundamental para “lapidar” a sua música, ressaltando as suas melhores características e eliminando as ruins. Em nossa próxima conversa falaremos não só sobre pré-produção, produção e pós-produção como das demais fases que envolvem a construção de um trabalho até que ele esteja maduro, finalizado, pronto para ser mostrado e vendido, ou seja, lançado.

E aí? O que acha? Concorda, discorda? O que mais é preciso para arranjar uma grande música? Deixe seu comentário abaixo.

 
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