Pré-Produção: Como se Preparar Corretamente?

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Antes de gravar é preciso definir qual o objetivo da gravação e consequentemente na pré-produção. Se você vai usá-la sem maiores pretensões não há necessidade de nada do que foi dito em nossas conversas até aqui, nem do que falaremos aqui.

Se, no entanto, sua intensão for fazer com que seu trabalho seja levado a sério, se o que você quer é entrar no music business e obter retorno financeiro de sua música, há várias dicas que irão ajudá-lo nessa tarefa.

Quando um artista pensa em gravar, geralmente pergunta: “quanto vai custar?”. Essa abordagem costuma levar a erros que frequentemente acabam gerando um trabalho sem as características necessárias de se reunir condições de galgar o caminho até o seu objetivo.

Na verdade a pergunta correta é “quanto você tem para gastar?”. Esse é o primeiro passo da chamada pré-produção. Entenda a sua música como um negócio. E como em qualquer deles, para ter retorno você terá de investir tempo, talento, criatividade e dinheiro.

Avaliando os Custos

Avaliar custos é necessário, mas antes disso, deve-se analisar seriamente os recursos de que se dispõe para aplicar no novo trabalho. Há boas chances de encontrar soluções alternativas que ajudam viabilizar a sua produção sem que necessariamente tenha de gastar fortunas.

Você precisa otimizar os meios que tiver ao máximo de modo a alcançar a melhor qualidade que puder.

Feita essa análise o próximo passo é saber quanto será preciso gastar para que tenha o mínimo necessário para a sua produção. Não esqueça que a gravação é apenas uma parte dela.

Você precisará de fotos, produção gráfica, cópias do EP ou CD…, não adianta gastar todo o seu orçamento na gravação de, digamos, cinco músicas, e depois só conseguir fazer poucas cópias de seu CD com encarte feito à mão mostrando os nomes das músicas e números de telefone que ninguém atende, endereços de e-mail ou coisa do tipo.

E aí você terá jogado fora esse orçamento apertado. Faça um esforço, tente aumentar receita, faça uma vaquinha com o pessoal da banda, um crowdfunding…, enfim, dê um jeito de juntar recursos suficientes para que consiga produzir um trabalho de alta qualidade.

Pode ser conveniente reduzir a quantidade de músicas a serem lançadas. Por exemplo, ao invés de cinco músicas grave apenas três. Escolha as melhores, produza 100 ou 200 cópias de sua gravação com a qualidade de áudio e encarte que suas músicas merecem. Será muito mais fácil ter retorno dessa forma.

E repita o processo várias e várias vezes. O caminho para o seu objetivo é longo e pode ser, inclusive, penoso. Lance novos trabalhos com alguma regularidade. Use o dinheiro que conseguir com uma produção para financiar a próxima.

Onde Gravar?

Sabendo o que se quer e tendo ideia do quanto se tem para gastar é preciso escolher onde gravar.

Há duas opções: gravar ao vivão de um show ou, a mais recomendável, gravar em um estúdio. Eles permitem melhor controle sobre a qualidade final. Gravar um show é, geralmente, complicado e muito mais caro.

Você precisa chegar à gravação sabendo tudo sobre o que será gravado. Portanto, antes de gravar é necessário que os arranjos estejam muito bem resolvidos. Hora de gravar é para gravar, não para ensaiar.

Quanto mais bem preparado o artista estiver, mais rápida será a gravação. Lembre-se, em estúdios tempo é dinheiro. Eles trabalham sempre com o taxímetro ligado. Mais tempo para gravar significa invariavelmente mais custos. E geralmente acaba levando à mais tempo para mixar e masterizar, o que amplia ainda mais as despesas.

Por isso, planeje-se e prepare-se! É na fase de pré-produção que se resolve o que e como fazer. Define-se quantas músicas serão gravadas, quais serão elas, finaliza-se detalhes de arranjo como mapeamento, timbres, tons, duração das músicas, andamentos, refina-se a execução das músicas, a escolha do estúdio, método de gravação (se ao vivo no estúdio ou por instrumento), faz-se uma boa revisão nos instrumentos que serão utilizados na gravação, etc.

Você deve fazer uma pesquisa dos estúdios de gravação afim de escolher em qual deles gravará o seu trabalho. Ao fazer isso, lembre-se que a qualidade sonora de uma gravação frequentemente é devida mais ao técnico que ao estúdio. Um bom técnico ou engenheiro de som pode conseguir resultados melhores que um não tão qualificado mesmo dispondo de recursos mais simples e instalações mais humildes.

Por isso, durante a pesquisa procure ouvir trabalhos gravados nesses estúdios, quais foram os técnicos ou engenheiros, que processo de gravação foi utilizado e se tudo isso se encaixa com as suas intensões. E, claro, os custos.

É muito bom que os músicos envolvidos visitem os vários estúdios, negociem valores, conversem com os técnicos, mostrem o que se pretende fazer e eles recomendarão quais processos de gravação funcionarão melhor.

Preparando os Instrumentos

Revisem seus instrumentos vários dias antes de gravar. Verifiquem fontes, conexões (jacks) cabos. Substitua encordoamento e baterias das guitarras e do baixo.

Cordas cedem rapidamente quando novas e se você deixar para substitui-las sem a antecedência necessária, provavelmente terá problemas durante a captação, já que o instrumento desafina rapidamente.

Compre cabos de qualidade para usar na gravação. Guitarristas e baixistas devem programar e regular suas pedaleiras. Equilibre os volumes de cada um dos timbres que será utilizado. Se tiver folga financeira convém adquirir esses acessórios com melhor qualidade.

Melhor ainda se você for gravar com equipamento de qualidade, tanto os instrumentos propriamente ditos como seus periféricos. Providencie e leve fio de extensão elétrica.

Caso o baterista prefira utilizar o seu próprio instrumento, convém que ele também faça uma revisão nele também com dias de antecedência. Verifique o estado do pedal de bumbo, lubrifique a corrente dele e do pedal da máquina de chimbal (isso ajuda a eliminar ruídos que os sensíveis microfones de estúdio captam facilmente).

E, caso necessário, troque as peles dos tambores. Ajuste a esteira. Se o baterista não monta a sua bateria com frequência convém que ele ensaie essa montagem. Ele deve ser meticuloso com as regulagens, os pratos em geral devem estar ao alcance das mãos sem que seja necessário inclinar o tronco para isso.

O baterista precisa se lembrar que para gravar será necessário montar os pratos com mais distância dos tambores que o habitual, para que haja espaço para a instalação dos microfones nos neles e diminuir os vazamentos dos sons dos pratos para esses microfones.

Além de aproximar os pratos dos microfones overhead, utilizados justamente para captá-los. Compre baquetas especialmente para essa gravação. Recomende ao baterista que ele utilize memórias para as regulagens das estantes, do assento e dos tom holders (suportes de tom). Assim não perderá tempo para encontrar as regulagens corretas na hora de montar a bateria.

E, num estúdio todo tempo economizado na montagem, nas regulagens e microfonação acaba deixando mais folga para a captação, a mixagem e a masterização. E, na soma, pode até significar economia de dinheiro ao final da gravação, afinal, como já dissemos, estúdios de gravação trabalham com o taxímetro ligado.

Sacadas e Utilidades

Para justar o som, selecione as músicas mais leves, pois tocar “sentando a mão” no estúdio atrapalha muito o técnico, tanto na captação quanto na mixagem. Limpe e inspecione seus pratos. O baterista deve levar o que chamo de “kit de sobrevivência”.

Fita tipo silver tape, feltros, estilete, borboletas para estantes de prato de modelos e roscas de tamanhos diferentes, clamp (cachimbo)para chimbal, arruelas, porcas, um alicate universal, chaves de afinação, flanelas…, pode parecer exagero.

Como baterista com mais de vinte anos de experiência posso afirmar que por várias vezes me safei de situações embaraçosas por estar preparado. E quando não consegui solucionar o problema passei o maior sufoco justamente pela falta de um desses itens.

Se você é baterista e não tem um metrônomo então compre um imediatamente. Ensaie as músicas que serão gravadas com o metrônomo, experimente andamentos para escolher o ideal. E uma vez escolhidos procure ensaiar a gravação usando o metrônomo.

Compre bons fones. Eles são fundamentais para que você consiga ouvir o metrônomo. Pode ser útil que você adquira um equipamento conhecido como Power Click. Consiste em uma mini-mesa de som portátil.

Pluga-se a ela o metrônomo e o retorno nas entradas e o fone de ouvido na saída. Assim você poderá ouvir o metrônomo e as guias (gravações demo das músicas que servem de referência para o músico durante a captação) e controlar de forma independente os volumes de entrada de cada um desses dois canais e o de saída para o fone.

Facilita bastante a tarefa de gravar caso o som do metrônomo do estúdio chegue ao seu fone com pouco volume. E, acredite, não é raro isso ocorrer.

Os músicos devem estar preparados para eventuais surpresas. Imagine se arrebenta uma corda da guitarra no momento em que ela será gravada e você não tem uma reserva e não há por perto onde comprar uma. Ou se a bateria do baixo fica sem carga na hora de gravar. E tenha cabos de boa qualidade como reserva.

Para o tecladista então os cuidados de revisar e preparar o seu instrumento e acessórios também valem. Inclusive quanto à estante para o teclado. Certifique-se de que ela, pedais, cabos e teclas estão todos ok e, de preferência, leve fio de extensão e um cabo de reserva para a gravação. Teste fonte, cabos, pedais, etc.

Se houver metais (sopros) na formação da banda então os cuidados de preparação também tanto dos músicos quanto dos instrumentos se estendem a eles.

Ensaiem exaustivamente as músicas que serão gravadas usando o metrônomo. Gravar não é barato ensaiar nessa hora, além de aumentar despesas, aumenta o nervosismo tanto de músicos quanto de técnicos.

Lembre-se: deixar uma boa impressão em todos com quem se trabalha é muito bom. Não só por causa a imagem da banda como também porque todos gostam de trabalhar com pessoas bem preparadas. Isso entusiasma os envolvidos, o que gera mais cuidado e capricho na mixagem e na masterização.

Procure mostrar ao técnico ou engenheiro de som quais as referências sonoras utilizadas no seu trabalho. Isso o ajudará a entender melhor qual a sonoridade desejada. Se necessário mostre a eles as músicas cujos timbres, por exemplo, lhe agradam e você pretende alcançar.

Encerrada a preparação? Tudo ok? Chegou o grande dia! Vai começar a produção, da qual falaremos em nosso próximo encontro.

 
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