Produção: Como Se Preparar Corretamente? Parte I

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram

Você sabe como funcionam os trabalhos no estúdio? Captação, overdubs, takes, multitracks…o que significa exatamente cada um desses termos? Todos eles são comumente utilizados nessa etapa da construção do seu trabalho. Seja bem vindo à PRODUÇÃO!

Já falamos anteriormente sobre a pré-produção. Que você precisa se dedicar muito à ela para que as fases seguintes corram com muito mais fluidez e, consequentemente, com tranquilidade.

Então, se você e sua banda estão devidamente preparados, arranjos já resolvidos, a grana para o estúdio já está disponível, tudo devidamente planejado, agora é a hora de ir lá e finalmente gravar!

Antes, um pouco de história da produção…

Produção: Como se preparar?
Fonte: Canaltech

Antes de falarmos da produção em si, aqui vai um pouco de história. Isso vai inserir você no contexto do que são as gravações e como elas são feitas.

Até o início do século passado não havia gravações. Havia somente os músicos e as conhecidas partituras musicais. Só era possível ouvir música na presença de músicos, que as utilizavam para executá-las.

Os interessados em ouvir músicas tinham três opções. Ou eram eles mesmos músicos, ou contratavam músicos para executá-las ou dirigiam-se a algum local onde houvesse músicos tocando.

Para tocá-las, os músicos geralmente se utilizavam de partituras compradas em livrarias. Se o músico não tivesse a partitura, o contratante tinha de comprá-las para ele.

Qualquer que fosse a escolha, invariavelmente a presença de músicos, instrumentos e partituras fazia-se necessária. E isso, em geral, não custava barato. Eram os primeiros passos do mercado da música.

Mais história…

Surgiram as gravações e os aparelhos para tocá-las. Mesmo após essas invenções, dadas as dificuldades da época, era difícil obtê-los.

Vieram as emissoras de rádio e o cinematógrafo, conhecido mais tarde como cinema. E com ele os primeiros filmes de cinema mudo.

Produção: Como se Preparar
Fonte: Paragon

Aqueles eram tempos em que se contratava orquestras para tocar as trilhas sonoras dos filmes em cinemas. Emissoras de rádio contratavam músicos e cantores para transmitirem seus programas, todas as casas noturnas contratavam músicos, etc.

O surgimento e a rápida evolução dos recursos de gravação, dos suportes em que as músicas são gravadas, dos aparelhos de som e o surgimento emissoras de rádio diminuiu a importância da música ao vivo e, por consequência, eliminou várias possibilidades de trabalho para músicos.

No entanto, as gravações e ondas do rádio expandiram o alcance da música e popularizaram o trabalho de diversos artistas.

Isso foi uma revolução. E efetivamente surgiu um novo mercado musical.

Gravações

Numa gravação o som é transformado em um tipo de sinal que é armazenado ou registrado em algum suporte físico.

As primeiras gravações realizadas foram mecânicas, em que a variação da pressão do ar sobre um diafragma fazia vibrar uma agulha presa a ele.

Essa agulha cortava sulcos sobre cilindros e discos de cera, posteriormente substituídos por discos que inicialmente eram feitos de vidro, depois de acetato e, por fim, de vinil. Quanto mais forte a pressão, mais ampla a oscilação da agulha.

Produção: Como Se Preparar
Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/

Esse era um método muito limitado em função de algumas características como: o peso do diafragma, o tamanho da agulha e a velocidade de rotação do suporte.

Essas, e outras características, faziam com que as gravações da época não captassem os sons com frequências altas, já que elas possuem pouca energia e comprimento de onda pequeno. Isso, em boa medida, explica porque as gravações mais antigas têm som bastante “abafado”, muito precário especialmente em frequências mais “agudas”.

O termo “analógica” é usado porque o sulco gravado no disco é um retrato análogo dessa vibração. Ele retrata de forma material essa vibração.

As pesquisas para desenvolver suportes que pudessem ser alterados por estímulos mais fracos e de menor comprimento de onda tiveram início já durante os anos 40 do século passado. Como consequência surgiram as fitas magnéticas.

Gravando em Fitas

As fitas utilizadas em gravação eram feitas em películas de plástico flexível, recoberta em um dos lados por uma camada de óxido de ferro que poderia ser magnetizada. Essa camada retém os impulsos nos quais o som é transformado.

Mas as fitas tinham problemas como: ruído inerente a ela (chiado) e limitação da capacidade máxima de armazenamento que, uma vez alcançada, provoca saturação de sinal.

Além disso, a cada cópia feita introduzia-se distorções na nova gravação. Algo semelhante ao que ocorre quando se fotografa uma fotografia ou se faz uma fotocópia de uma fotocópia de uma impressão.

Por isso, já nos anos 60, começaram as pesquisas a respeito da gravação digital, que só chegou ao mercado nos anos 80. Nela a intensidade do som (em DBs) é medida de forma constante (taxa de amostragem) e o valor é convertido em um código binário (sequências de dígitos zero e um) guardados em qualquer suporte capaz de armazená-los: discos rígidos de computadores (conhecidos como HDs), fitas magnéticas, CDs, pen-drives, etc.

A principal vantagem do formato digital é a possibilidade de se obter alta fidelidade em cópias, afinal, números são números. Se as sequências de números zero e um da cópia forem iguais a do original então a cópia já não é apenas mais uma cópia e sim uma réplica. Ou seja, um outro original! O que permite transportar a informação de um aparelho para outro teoricamente sem perda de qualidade.

Com o advento dos chips, capazes de realizar cálculos matemáticos com velocidades cada vez maiores, tem sido possível desenvolver programas para processar o som que podem alterar esses números e criar efeitos como alteração de timbres, eco, delays etc. E também recuperar gravações antigas eliminando ruídos indesejados.

Softwares para Produção

Há pouco mais de vinte anos surgiram as DAWs, ou Digital Audio Workstations. São os softwares ou programas de gravação.

Instalados em um computador eles são capazes de gravar e processar o áudio internamente sem a necessidade de outros aparelhos ou equipamentos.

Com eles pode-se gravar, mixar e masterizar (falaremos de mixagem e masterização numa outra conversa) usando efeitos como equalização, compressão, reverb, redução de ruído, etc.

Esses programas também permitem fazer a edição do material da produção musical, o que facilita enormemente o trabalho dos envolvidos. Desde os músicos até os engenheiros de mixagem.

O segundo refrão não ficou tão bom quanto o primeiro? Keep kalm! Basta mandar o DAW selecionar o refrão bom, comandar a criação de uma cópia e colar essa cópia do refrão bom no lugar do que soa ruim. Alguns cliques num mouse e tudo está resolvido!

E pensar que nos tempos das fitas magnéticas os técnicos tinham de cortar e emendá-las. Pense na mão de obra e na precisão necessária para fazer as emendas exatamente nos pontos certos. E também no que ocorria quando não se conseguia isso…

Ao final do processo todo você masteriza a gravação, copia para um CD-R (o CD gravável) e assim está pronta a matriz ou master, primeira unidade à partir da qual todas as cópias são confeccionadas.

São exemplos de programas DAW: Pro-Tools, Cubase, Cakewalk, etc.

Captação

A captação é justamente a fase em que os sons dos instrumentos são captados pelos microfones e demais equipamentos do estúdio de gravação e passam por um primeiro processamento. É o ato de gravar propriamente dito.

O trabalho de gravação em estúdio começa efetivamente pela captação.

Analógico Vs. Digital

Atualmente usam-se dois sistemas de gravação e processamento para produção musical, o digital e o analógico. Há uma discussão sobre qual deles é o melhor.

No caso da produção analógica, a confiabilidade é maior por já ter sido completamente desenvolvido e testado.

Já o digital, dadas as constantes inovações, está constantemente sendo desenvolvido. Como frequentemente surgem novas versões e técnicas, algumas delas podem revelar-se, ao menos inicialmente, problemáticas.

Muito da discussão sobre qual o melhor processo de gravação, como nesse artigo da Noisey existe pelo fato de a analógica apresentar uma distorção.

Para alguns ela soa bem aos ouvidos. Também há o fato de que a saturação inerente a esse processo de gravação comprime levemente o som. Os entusiastas do processo analógico dizem que isso dá a sensação de mais “calor” na música gravada.

Produção: Como Se Preparar
Fonte: Noisey Vice

Quem defende as gravações digitais diz que essas características nada mais são do que deturpações. Dizem que no analógico há perda de graves e agudos.

Também apontam a pureza e a fidelidade do som digital e os ganhos obtidos com as incontáveis possibilidades de edição. O som digital é preciso, matemático.

Isso faz com que os defensores da gravação analógica vejam a gravação digital como “fria”. Uma diferença relevante das duas gravações é a resistência a danos da master – e aí a vantagem pode ser da analógica!

Isso porque, apesar das possibilidades de se replicar infinitamente gravações digitais, teoricamente, sem perda de qualidade, produzindo cópias com alta fidelidade, há a possibilidade de elas se perderem completamente.

Vantagens e Desvantagens

Por exemplo, se o HD da máquina onde o material é processado e produzido se danificar, ou se a master digital for avariada ou inutilizada. E aí, meu amigo, esqueça que ela existe, você terá perdido todo o trabalho!

Uma gravação analógica, se danificada,  toca mal, mas toca. Isso permite que o som seja recuperado, veja que ironia, digitalmente!

Em resumo, cada processo de produção tem suas características. E aí a questão não é se um ou outro é o melhor, mas qual dos dois é o mais adequado para o seu trabalho. Avalie junto ao seu engenheiro ou técnico de som e decida qual vai utilizar.

O Estúdio para Produção

É importante conhecer ao menos basicamente as diferentes técnicas e opções para se escolher qual o estúdio e quais os técnicos da gravação com que você irá trabalhar na produção, dependendo do material que se queira registrar.

Por isso, inclua em suas avaliações qual a abordagem a ser utilizada nas gravações:

  • ressaltar a espontaneidade ou
  • buscar um maior nível de elaboração que, eventualmente, não pode ser reproduzido ao vivo?

Um estúdio de gravação é um ambiente frio, não só porque costuma usar potentes aparelhos de ar-condicionado, mas também pela rigidez dos padrões de exigência em produção.

Produção: Como Se Preparar
Fonte: La Conexion

O que não impede que gravações de alto nível sejam fruto de execuções feitas por músicos em horários, datas, estúdios e até cidades diferentes, passando grande sensação de coesão, de conjunto. E muita espontaneidade.

Gravação

Gravar é bem diferente de tocar num ensaio e, especialmente, em shows. Num estúdio de gravação não há o calor do público e a adrenalina do palco. O alto volume do som elimina sutilezas.

Pequenos erros de execução, de afinação, letras trocadas…tudo isso pode passar batido ou, no mínimo, ser aceito sem maiores críticas por causa da energia da apresentação, da presença dos músicos, das luzes, coreografias, da possível quantidade de álcool consumida por parte do público, do carisma do artista, etc.

Além disso um show é um evento único, jamais se repetirá.

Numa gravação nenhum desses elementos é parte do processo. Estão presentes somente os técnicos, os músicos, seus equipamentos e instrumentos. E, talvez, um ou outro amigo, uma namorada ou cônjuge.

E também não é um evento único. Uma gravação é ouvida repetidas vezes. Cada erro, cada insegurança, cada falha será repetida. A cada vez que se ouve um material gravado dessa forma essas coisas gritam mais e mais alto aos ouvidos.

Acredite, a sensação de ouvir falhas assim num trabalho de que se participa é de grande frustração.

Shows Vs. Estúdio

Nos shows é preciso criar uma grande massa sonora. Por isso, e pela adrenalina, é natural que os músicos queiram tocar mais notas e preencher qualquer espaço.

Mesmo onde já não há mais espaço! E onde eles existem são fruto ou da falta de instrumentos de base, ou da falta de recursos de processamento do som, ou da má acústica e, principalmente, de arranjos mal elaborados.

Se no palco busca-se a emoção, no estúdio e durante a produção o objetivo é ter, além dela, a precisão. Por isso quando o assunto é gravar o grande lance, o ”pulo do gato”, não é preencher espaços, mas criar espaços!

É necessária paciência para que se acrescente as partes aos poucos. Numa gravação os detalhes devem soar definidos, limpos, cristalinos. E devem ser distribuídos pelo arranjo com equilíbrio. Um bom arranjo deve ser bem balanceado.

Mesmo onde for necessário “sujar” o som numa boa gravação essa “sujeira” é controlada, calculada, dosada. Carrega-se bem menos nas tintas.

Por isso nas gravações, especialmente as multitrack (das quais trataremos mais à frente), a necessidade é outra, principalmente em se tratando de música popular. A tendência de se tocar mais notas e de “encher” mais o som deve ser evitada.

A rigor, há duas técnicas de gravar: ao vivo ou por multitrack (ou multipista), também chamada “por instrumentos”.

Vamos falar dessas duas técnicas e ainda muito mais na Parte II na próxima semana. O que achou dessa Parte I de conteúdo sobre gravação? Espero o seu comentário aqui embaixo!

 

 
No Posts Found

não vai deixar
seu autógrafo?

cursos gratuitos, networking, materiais de trabalho, diagnóstico, rede social... .. em 1 minutos você cria sua conta, é rápido